Reabilitação Neurocognitiva

A Reabilitação Neurocognitiva - Método Perfetti, desenvolvida pelo Prof. Dr. Carlo Perfetti considera todos os processos motores, sensitivos e cognitivos envolvidos no movimento. Tais processos comumente se encontram alterados após as lesões neurológicas e provocam uma mudança na funcionalidade do indivíduo - como um todo.

Entende também a reabilitação como um processo de aprendizagem em condições patológicas, com capacidade de recuperação mediante a reativação das funções cognitivas, reintegrando a relação perdida entre corpo e mente. Isso só é possível devido a capacidade de reorganização do cérebro, atualmente conhecida como Plasticidade Cerebral.

O PROBLEMA ESTÁ NO CÉREBRO E NÃO NO MÚSCULO.
ENTÃO USEMOS O CÉREBRO DO PACIENTE.

Nesse sentido, observa-se que a Reabilitação Neurocognitiva - Método Perfetti aborda de forma diferente o tratamento reabilitativo: o movimento vai muito além de uma simples contração muscular. Um dos fundamentos do Método Perfetti é que uma lesão neurológica danifica o cérebro e suas funções, não apenas os músculos, portanto a reabilitação deve também se concentrar na recuperação das funções cerebrais e cognitivas, e não apenas nos músculos e reflexos. Fundamentalmente, não se trabalha com fortalecimentos ou alongamentos musculares, tampouco se utiliza de equipamentos tecnológicos com estímulos externos, nos quais o paciente é um receptor passivo de tais intervenções.

"Aqueles que se movem têm um objetivo, estão atentos a certas coisas, já experimentaram certas experiências e que tudo isso é decisivo para a organização do movimento em todos os níveis, do músculo ao córtex cerebral."

- C. Perfetti.

Assim, são propostos exercícios com o objetivo de ajudar o paciente a reorganizar suas ações através da ativação de processos cognitivos, onde se consideram aspectos importantes como a percepção, a atenção, a linguagem e a memória. Os exercícios neurocognitivos propõem que o paciente aprenda a resolver um problema, a mover-se conscientemente, controlando sua espasticidade, seus movimentos involuntários, os esquemas patológicos de movimentos e a dor.

Para a execução destes exercícios, utilizam-se objetos especialmente desenvolvidos por Perfetti e sua equipe, chamados “Sussidi”. Eles se caracterizam por terem elementos em comum com os objetos da vida cotidiana, porém muito mais sensíveis e adaptados de forma que o paciente possa interagir com eles de forma controlada, auxiliado pelo terapeuta.

Para saber sobre patologias tratadas pela Reabilitação Neurocognitiva - Método Perfetti, clique aqui

A TEORIA NEUROCOGNITIVA

A Teoria Neurocognitiva, concebida por Perfetti, estuda a recuperação da organização motora de pacientes portadores de patologias neurológicas de origem central ou periférica, síndromes dolorosas, patologias degenerativas e musculoesqueléticas.

Essa teoria nasceu de uma questão: Por que não conseguimos recuperar a mão de um hemiplégico?

Partindo dessa dúvida, Perfetti entendeu que para alcançar um movimento mais evoluído e de qualidade, seria necessário adotar modalidades que envolvessem o corpo e a mente de maneira unitária e integrada. O pressuposto fundamental da Reabilitação Neurocognitiva é que os processos de conhecimento podem modificar a estrutura biológica do homem e sua ação, isto é, eles podem influenciar a pessoa como um todo. As patologias em geral, e a neurológica em particular, rompem com a unidade mente-corpo e, por consequência, faz a pessoa perder a capacidade de auto reconhecer as partes de seu corpo, indispensáveis para interagir com o mundo.

“Não se trata de ensinar o paciente apenas a se mover,
mas guiá-lo para que dirija sua atenção as diferentes
informações provenientes do corpo.”

- C. Perfetti.

O objetivo do estudo original da Teoria Neurocognitiva é, portanto, a qualidade da recuperação, tanto a espontânea quanto a guiada pelo reabilitador, dependentes da ativação dos processos cognitivos e da modalidade de tal ativação.

Os princípios da Teoria Neurocognitiva

A mulher interage com a massa ao sovar: sente a textura, a umidade, a pressão que exerce, se está mole ou dura e etc, modificando seu comportamento em função dessa interação.

O corpo é uma superfície receptora capaz de dar sentido ao mundo através de informações de vários tipos: tátil, cinestésica, de pressão, visual, acústica, fricção, peso, etc.

Ao agir, o homem integra diferentes modalidades de informações construídas. Toda ação é um ato de conhecimento e, como tal envolve a construção de informações e suas integrações. As informações não estão presentes apenas no sujeito que age ou no objeto. Apenas a interação entre o indivíduo e o objeto é que permite a construção de uma informação, em vez de outra, a qual virá selecionada em base as intenções deste indivíduo.

O Movimento, a ação é o meio para o conhecimento.

O corpo se fragmenta para conhecer o mundo à sua volta e a fragmentação do corpo está ligada a uma intenção e a busca de informações. A contração muscular é o último elo de um processo complexo ou seja, a ação. Esta é acionada por um sistema intencional (querer fazer algo) que interage com o ambiente de acordo com as necessidades, e dá sentido a essa interação em seus significados físicos e relacionais.

A recuperação é um processo de aprendizagem em condições patológicas.

É através do processo de aprendizagem, ou melhor, da ativação de processos cognitivos, tais como: a percepção, a atenção, a memória, a imagem motora e a resolução de problemas que ocorrem as modificações a nível do sistema nervoso - a neuroplasticidade. No caso de um indivíduo em condições normais, chamamos de aprendizado; no caso de um indivíduo com alguma patologia, chamamos de recuperação.

A recuperação e a aprendizagem compartilham dos mesmos mecanismos. Por isso, a reabilitação é entendida como um processo de aprendizagem em condições patológicas para a recuperação de habilidades perdidas após uma lesão. Assim, na Reabilitação Neurocognitiva, o paciente é instruído e guiado sobre o que perceber do corpo e, através do corpo, como provar emoções e senti-las, como fazer para construir e integrar as informações úteis para esta aprendizagem.

Com a ajuda do reabilitador e através do exercício neurocognitivo, o paciente aprenderá a colocar em prática escolhas cognitivas organizadas adequadamente com a finalidade de modificar o próprio comportamento. Será conduzido ao re-aprendizado de ações mais corretas sob o ponto de vista da reorganização motora.

Entende que a linguagem, tanto do paciente quanto a do fisioterapeuta, é a melhor ferramenta para introduzir e modular todos os instrumentos neurocognitivos dentro do exercício. Para saber mais do papel da linguagem na reabilitação, clique aqui

Se desejar entender melhor os princípios da Reabilitação Neurocognitiva - Método Perfetti, solicite nossa palestra online com o Dr. Mauro Cracchiolo que apresenta de forma clara e simples a Teoria Neurocognitiva com exemplo de exercício aplicado.