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A hemiplegia vem do grego “hemi”, que significa metade e “plêgè” que significa golpe. Existem dois tipos de hemiplegia: a congênita, isto é, que pode ocorrer antes, durante ou logo depois do nascimento; e a adquirida, que ocorre mediante uma doença ou lesão no cérebro. A hemiplegia direita é uma das mais frequentes consequências do AVC, causada por uma lesão sofrida no hemisfério esquerdo do cérebro, uma vez que os controles do corpo são cruzados.

Frequentemente ouvimos falar das diferentes tarefas atribuídas aos hemisférios direito e esquerdo, que contribuem de maneira diferente para nossas habilidades motoras, comportamento e linguagem. E é justamente a nossa capacidade de linguagem que se encontra no hemisfério esquerdo, apesar de não se encontrar somente lá, e quando afetado causa os distúrbios de linguagem, as chamadas afasias.

Como uma decorrência de lesão neurológica, a hemiplegia é frequentemente acompanhada de outros diagnósticos, como epilepsia, problemas visuais e etc. Como o cérebro é o lugar responsável pelas funções comprometidas, deve ser ele o objeto do tratamento reabilitativo. Nesse sentido, é perceptível a diferença dos resultados que a Reabilitação Neurocognitiva – Método Perfetti tem dos demais tratamentos, visto que foca na ativação dos processos cognitivos para construir novos caminhos para contornar as áreas cerebrais danificadas pela lesão, tomando vantagem da neuroplasticidade natural do cérebro.

Como mencionado, é um dos diagnósticos frequentes quando a lesão afeta o hemisfério esquerdo do cérebro e, às vezes, está presente de formas menos pronunciadas no caso de lesões que afetam o hemisfério direito, em pacientes canhotos.

A comunicação deve ser entendida como uma forma de comportamento que nos permite interagir com nosso ambiente social. Assim como o movimento, a fala não pode ser reduzida a uma mera combinação de sons, palavras e frases, mas deve ser interpretada de uma perspectiva mais ampla, que inclui não apenas o paciente, mas também seus interlocutores.

Um paciente afásico não esqueceu as palavras ou frases, mas tem problemas para organizar esta ação comportamental em vários níveis. Por ser uma consequência de uma lesão cerebral, existem vários tipos de afasia que dependem do tipo e da área da lesão e podem incluir:

  • a afasia motora, na qual a lesão envolve a área motora, na porção anterior do cérebro (área de Broca) onde o distúrbio da fala é atribuído a dificuldades na organização motora fala para produzir os sons necessários;
  • afasia sensorial, em que a lesão envolve as áreas sensoriais, na parte posterior do cérebro (área de Wernicke), resultando em uma dificuldade de compreensão da fala, em que o paciente costuma ser capaz de falar, mas sua fala apesar de fluente e com entonação adequada, pode ser totalmente desprovida de significado.

Portanto, propor ao paciente que repita as palavras como forma de imitação não leva em consideração todo o contexto da comunicação, tendo apenas valor parcial como atividade terapêutica, uma vez que muitas vezes o problema não é de memória, mas de comunicação. Quem convive com pacientes afásicos sabe que ser capaz de dizer uma palavra por imitação ou repetição é bem diferente de ser capaz de usá-la no local e no contexto apropriado, quando é realmente necessário.

Já a Reabilitação Neurocognitiva – Método Perfetti entende a linguagem como parte fundamental do processo de reabilitação do paciente, sendo uma das mais importantes ferramentas que o reabilitador neurocognitivo utiliza para desenvolver melhor seus exercícios e compreender de forma mais precisa como o paciente está respondendo e sentindo a terapia desenvolvida. A afasia não se torna, assim, um problema para o terapeuta, que procura outras formas de comunicação para interagir e se comunicar com o paciente.

“O afásico não tem apenas dificuldade com as palavras: pode ter dificuldade no uso da linguagem gestual, mesmo para responder “sim” ou “não” acenando com a cabeça ou indicando com os dedos da mão, dificuldade para escrever, para desenhar, para entender a fala, a escrita e mesmo os gestos dos outros.”

– Portal da Afasia

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A apraxia é uma característica frequente da hemiplegia direita e é causada pela alteração de certos processos cognitivos, como atenção, aprendizado e capacidade de realizar transformações entre os diferentes canais de informação, incluindo linguagem, visão e percepção. É, portanto, extremamente complexa e de difícil diagnóstico, embora existam vários testes que permitem destacar certos aspectos da apraxia.

Pessoas que sofrem de apraxia não conseguem realizar corretamente determinados movimentos, embora preservem a mobilidade dos membros e não apresentem paralisia muscular, nem dos nervos. Em muitos casos, não conseguem fazer movimentos previamente aprendidos, apresentando dificuldade em utilizar ferramentas e outros instrumentos, cometendo frequentemente enganos.

O Prof. Perfetti dizia que o apráxico é um paciente “desordenado”. Ele tem todos os movimentos, mas não consegue uma organização correta para sua execução dentro de uma ação. Essa desordem produz alguns erros conhecidos como “parapraxias”. O trabalho da Reabilitação Neurocognitiva – Método Perfetti vem focado na recuperação dessa organização em alguns aspectos essenciais como: o planejamento motor, a memória da ação pré-lesional, a atenção as informações provenientes do corpo etc.

A hemiplegia esquerda é causada por lesão neurológica no hemisfério direito do cérebro. Enquanto pacientes hemiplégicos direitos geralmente apresentam distúrbios da fala (afasia) e apraxia, para hemiplégicos esquerdos os distúrbios tendem a ser mais complexos e difíceis de detectar. As principais características frequentemente associadas à hemiplegia esquerda incluem:

  • Negligência;
  • Anosognosia;

Negligência: também conhecida como hemi-atenção ou negligência unilateral, ou hemiespacial, é um fenômeno comumente atribuído à dificuldade de explorar o espaço visual esquerdo. Não é uma deficiência visual, mas pode ser entendida como um déficit em focar a atenção e a consciência no lado esquerdo do espaço. Esse distúrbio também explica parcialmente as dificuldades de movimento encontradas pelos pacientes hemiplégicos esquerdos, que estão ligadas às dificuldades de focalizar a atenção no “mundo à esquerda”, incluindo o próprio corpo, e com ele o ambiente.

Anosognosia: consiste na falta de consciência da própria patologia.

Quando combinados, esses dois distúrbios têm efeitos significativos nos movimentos e comportamento, dando origem a uma série de alterações e dificuldades diárias, expondo o paciente a situações delicadas. As alterações dos movimentos não são causadas apenas por uma alteração dos músculos, mas por uma combinação de alterações cognitivas, incluindo o déficit de atenção, em particular, as dificuldades relacionadas à atenção envolvem a capacidade de focar no ponto mais significativo de um problema e de dividir a atenção entre vários aspectos do corpo simultaneamente.

As dificuldades de aprendizagem também podem ser bastante pronunciadas em certos casos, especialmente quando combinadas com distúrbios da atenção, e deve-se notar que a recuperação dependerá da capacidade do terapeuta de ensinar e da capacidade do paciente de aprender os movimentos mais avançados. Portanto, os distúrbios de percepção encontrados em pacientes hemiplégicos esquerdos não são causados apenas por danos diretos nas áreas sensoriais primárias, mas também são o resultado de dificuldades complexas encontradas na aquisição de informações sobre o ambiente através do corpo.

Assim, o trabalho de reabilitação deve focar simultaneamente o corpo, em suas funções alteradas (como caminhar e a capacidade de segurar e manipular objetos), e os processos cognitivos, emocionais e informacionais para conseguir uma recuperação abrangente. Nesse sentido a Reabilitação Neurocognitiva – Método Perfetti tem se provado eficiente ao focar o tratamento na ativação cognitiva, promovendo a construção de caminhos cerebrais novos e recuperando não apenas o movimento, mas as funções cognitivas necessárias para a ação.

Espasticidade é uma condição caracterizada pelo aumento do tônus muscular (hipertonia), que significa perda do controle da atividade dos músculos. É uma das consequências mais frequentes e incapacitantes que ocorrem em pacientes com lesões no sistema nervoso central.

Para entender melhor, vamos exemplificar: se tentarmos flexionar o braço de um paciente no cotovelo e tentar estendê-lo manualmente, isso desencadeará uma resposta reflexa que fará com que o braço continue flexionando. Por quê?

Vamos imaginar que o controle dos músculos seja governado por dois elementos principais, um “controle consciente” e, portanto, ligado à processos cognitivos como atenção, memória, aprendizado etc., e o outro “reflexo”, que reage a alongamentos contraindo-se na direção oposta à do próprio alongamento. Quando o cérebro sofre uma lesão, o elemento cortical (consciente) perde sua capacidade de equilibrar a ação do elemento medular (reflexo), que ganha vantagem.

Outro fenômeno comum aos pacientes é fazer movimentos simples e “compensatórios”, visto que não conseguem controlar seus músculos de maneira coordenada e ordenada. Um exemplo disso acontece quando ao caminhar o paciente levanta o quadril. Esse tipo de movimento representa um esquema simples porque é o “mais fácil “ e ocorre sempre que o paciente tende a fazer qualquer movimento com o membro inferior. Esses movimentos não devem ser estimulados, pois o aprendizado e a cristalização de tais “movimentos simples” dificultaráá o paciente de aprender novas e mais avançadas possibilidades de movimento.

Assim, se queremos recuperar a capacidade de “contrair os músculos”, a abordagem terapêutica deve se concentrar nos processos cognitivos, razão pela qual a Reabilitação Neurocognitiva – Método Perfetti tem sido tão bem-sucedida. Seu objetivo fundamental é restaurar o controle consciente desse processo para a organização motora do paciente. Ao superar a espasticidade, o especialista em reabilitação é capaz de ajudar o paciente a aprender a executar o movimento e de uma maneira cada vez mais refinada.

A grande contribuição que o Prof. Perfetti trouxe ao tratamento da espasticidade foi o de re-interpretar a natureza dos diversos elementos que a compõem e com os quais se chegou ao chamado “Específico Motor.” Isto permitiu uma abordagem singular e eficaz para solução deste problema.

Portanto, lidar com a espasticidade sem levar em consideração todos os seus elementos constituintes, não fornece uma interpretação correta da patologia. Nessas condições, tratamentos externos como o uso de botox, aparelhos ortopédicos ou outras órteses, muitas vezes podem impedir a recuperação funcional do paciente, pois reforçam os elementos patológicos e não resolvem o problema real já que não trazem nenhum aprendizado.

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